O DAKI – Semiárido Vivo é uma iniciativa de Gestão do Conhecimento e Cooperação Sul-Sul, uma vez que se baseia fundamentalmente no conhecimento gerado e compartilhado pelos atores envolvidos, além de estar intrinsecamente articulado na América Latina. Além disso, o DAKI – SV pretende formar e fortalecer alianças e redes que serão perpetuadas ao longo do tempo.

Um dos princípios-chave da ação é partir da compreensão do conhecimento produzido e mantido pelos povos tradicionais e camponeses, que vivem nas regiões secas da América Latina, e articulá-los com conhecimentos científicos e acadêmicos de forma horizontal. Esta é a base política-metodológica para a sistematização e capacitação em Agricultura Resistente ao Clima do DAKI – Semiárido Vivo.

Eixos Estratégicos

Um dos principais objetivos do DAKI SV é proteger a produção de alimentos nas regiões secas da América Latina – no Semiárido brasileiro, no Grande Chaco na parte situada na Argentina, e no Corredor Seco no território de El Salvador. E busca alcançar esse objetivo por meio de duas linhas estratégicas.

A primeira é a colheita de conhecimentos sobre boas práticas já existentes de Agricultura Resiliente ao Clima (ARC). A atenção é grande, principalmente, para o manejo de solo, de bosques, florestas e da água, o que envolve seu estoque e uso racional.

Ao todo, serão sistematizadas 55 experiências e realizados 10 estudos de casos a partir de um método capaz de analisar as multidimensões dos agroecossistemas, o método Lume.

A segunda linha de ação do projeto, que une três regiões secas da América Latina, é a construção e oferta de três programas de formação para quase 1,8 mil pessoas que vivem e produzem no espaço rural, como agricultores/as familiares, comunidades tradicionais, povos indígenas, e também técnicos/as que atuam em organizações de assessoria à agricultura familiar da sociedade civil e de governos. As formações beneficiarão, de forma indireta, cerca de 7 mil pessoas que vivem nos mesmos territórios e comunidades de quem participou das formações.

Posteriormente, o projeto focará na formação de técnicos que atuam em projetos do FIDA nos territórios envolvidos, bem como agricultores e técnicos das organizações da sociedade civil que constroem a convivência com o Semiárido, para que atuem como multiplicadores nas questões relacionadas à sustentabilidade ambiental e mudanças climáticas. O curso funcionará via plataforma de Ensino à Distância (EAD), desenvolvido pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. Cerca de 400 pessoas serão beneficiadas diretamente e outras 3 mil indiretamente.

As Sistematizações

As áreas secas da América Latina são habitadas. Sempre foram. O que sabe este povo que permite e permitiu que permaneçam e permanecessem na região resistindo às intempéries do clima? Como as famílias e as comunidades atravessaram tempos hostis de seca? O que elas aprenderam ao lidar com o ambiente semiárido e subúmido? Estas são algumas perguntas que movem o projeto DAKI Semiárido Vivo.

Em busca das respostas, a iniciativa que une três regiões secas da América Latina tem, como uma das atividades o levantamento dos registros – textos, vídeos, publicações, etc – das experiências familiares e comunitárias que apresentam características de resiliência às mudanças climáticas.

Além da coleta de conhecimentos no campo, o projeto DAKI SV também se propõe a construir conhecimentos sobre formas de ser e agir de povos e comunidades que têm promovido a ampliação das capacidades de resiliência frente às mudanças climáticas.
Esse conhecimento se constrói de diversas formas na estratégia do projeto DAKI SV. Uma delas são processos de sistematização por meio de metodologias que permitem a participação das famílias e organizações protagonistas das experiências observadas e analisadas.

As Formações

A outra estratégia do projeto DAKI SV de construir conhecimento é promovendo programas de formação para pessoas que atuam no meio rural, sejam elas agricultores familiares, povos originários, populações tradicionais como quilombolas, geraizeiros, vazanteiros e muitos outros, sejam técnicos e técnicas que trabalham com assessorias técnicas em organizações da sociedade civil e em órgãos públicos.

Em 2022 e 2023, serão oferecidos três programas de formação para desenvolver capacidades em indivíduos, coletivos e instituições que ampliem a resistência aos efeitos das mudanças climáticas. Impactos que afetam, principalmente, as regiões secas do planeta, nas quais se incluem os territórios classificados como semiáridos e subúmidos secos.

Os programas de formação deverão beneficiar cerca de 7 mil pessoas de forma indireta e quase 1,8 mil pessoas diretamente.

O 1º Programa de Formação acolherá mais de 1,3 mil educandos e educandas e terá um formato híbrido de aulas e acompanhamento pedagógico, com forte ênfase na educação à distância.

As aulas começam em março de 2022 e está estruturado em 2 etapas:

1. O “curso” – o coração do Programa – será dividido em 4 módulos, realizados entre entre março e agosto/2022, com um encontro final de encerramento.

2. Período pós-curso – Acabadas as aulas, nos próximos 4 meses (agosto – novembro/2022) haverá a implementação dos Planos de Ação em “Agricultura Resiliente ao Clima” para a multiplicação dos aprendizados/ replicação das inovações nos territórios rurais.

O 2º Programa de Formação é direcionado para 400 pessoas – sendo 350 técnicos e 50 agricultores – e será uma capacitação presencial.

O 3º Programa de Formação tem foco nas juventudes rurais. Serão capacitados/as 60 jovens a partir de um desenho semipresencial, com ênfase em intercâmbios e estágios.

Realização

     

Financiamento