Daki Semiárido Vivo

DAKI - Semiárido Vivo é uma ponte de conhecimento entre os povos que habitam o semiárido

O DAKI – Semiárido Vivo é um projeto que tem como objetivo contribuir no enfrentamento às mudanças climáticas em três regiões semiáridas da América Latina: Corredor Seco Centroamericano (CSC), Grande Chaco Americano (GCA) e Semiárido brasileiro (SAB). Uma iniciativa apoiada pelo Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e realizada por duas redes de organizações da sociedade civil que atuam nessas regiões: a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Plataforma Semiáridos da América Latina.

Pautado na Gestão do Conhecimento e na Cooperação Sul-Sul, o DAKI – Semiárido Vivo identifica e sistematiza  experiências, processos de formação e intercâmbios de conhecimentos que contribuem com agricultoras e agricultores, técnicas e técnicos e suas respectivas instituições, em práticas e estratégias de Agricultura Resiliente ao Clima (ARC).

O DAKI – Semiárido Vivo dá visibilidade a experiências de Agricultura Resiliente ao Clima pautadas na Agroecologia e na Convivência com os Semiáridos. E que têm como princípio o entendimento que  o enfrentamento às mudanças climáticas deve estar alicerçado na democratização do acesso à água e à terra, na promoção de solos saudáveis e florestas conservadas, e no protagonismo e garantia de direitos aos povos dos semiáridos por meio de políticas públicas contextualizadas.

Sistematização

Agricultores, agricultoras, povos tradicionais e indígenas vêm, ao longo dos tempos, acumulando conhecimentos a respeito da Convivência com os Semiáridos na perspectiva de uma agricultura resiliente aos efeitos das mudanças climáticas. 

É a partir dessas experimentações e inovações, que o DAKI – Semiárido Vivo tem como  atividade fundamental o levantamento e a realização  de sistematizações de experiências bem sucedidas dentro desse contexto, sendo as famílias, comunidades e organizações protagonistas desse processo. 

A ideia é que esses conhecimentos, além de compartilhados, sejam replicados nas regiões envolvidas no projeto, com o apoio dos cursos de Formação. Você pode acessar estas sistematizações em nossa Biblioteca e em nosso Youtube.

Formação

O projeto DAKI – Semiárido Vivo também promove programas de formação para pessoas que atuam no meio rural, sejam elas agricultores e agricultoras familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, além de técnicos e técnicas que atuam junto a organizações da sociedade civil e em órgãos públicos.

De 2022 a 2023, três programas de formação devem beneficiar cerca de 7 mil pessoas de forma indireta e quase 1,8 mil pessoas diretamente. Conheça mais sobre nossos programas de formação!

Territórios de atuação

O semiárido mais populoso do mundo

Este território fica no Brasil, ocupando 72% da área da região Nordeste e 18% do estado de Minas Gerais. Em toda a sua extensão o Semiárido equivale a 12% do território nacional.

Além de mais populoso do mundo, grande em extensão, o Semiárido brasileiro abriga grande parte da população mais pobre do país.

Dados oficiais apontam que 59,1% de todos as/os brasileiras/os em extrema pobreza vivem no Nordeste (9,61 milhões de pessoas) e a região reúne 32,7% dos municípios com alta vulnerabilidade alimentar e nutricional (um total de 52 municípios).

As/os agricultoras/es familiares da região enfrentam desafios proeminentes de desenvolvimento socioeconômico, bem como acesso limitado a crédito, alimentos e água.
Embora o Brasil seja classificado como um país de renda média-alta, os níveis de pobreza aumentaram 33% de 2014 a 2017, atingindo 23,3 milhões de pessoas.

A região semiárida brasileira sofre problemas históricos crônicos relacionados à escassez de água com secas periódicas. No entanto, a seca de 2012-2017 foi a pior dos últimos 100 anos e exacerbou muitos desafios sociais existentes, causando endividamento das/os agricultoras/es, êxodo rural, doenças e desnutrição. Seu custo econômico foi estimado em cerca de US $ 6 bilhões apenas no setor agrícola.

Território rico em culturas indígenas

Também na Argentina, um país de renda média, grande parte das pessoas em estado de pobreza estão estabelecidas na região mais árida do país, o Chaco. A pobreza afeta 32% das/os argentinas/os (14 milhões de pessoas) e 80% das/os moradoras/es do Chaco, que padecem de insegurança alimentar e nutricional e de desnutrição.
O Chaco abriga a maior proporção de comunidades indígenas – nove grupos étnicos diferentes, compostos principalmente por comunidades de caçadoras/es-coletoras/es – e a maior taxa de desmatamento da Argentina.

O Chaco é uma vasta área plana entrecortada por importantes cursos de água e montanhas que possuem florestas adaptadas à seca.

A mudança climática projetada para o Gran Chaco prevê um aumento na temperatura média anual de mais de 1° C até 2040, enquanto que, em algumas áreas, o aumento pode chegar a 1,75° C. Com a alteração do calor, o regime de chuvas também é afetado e a tendência aponta para maior variação na distribuição sazonal e espacial da chuva.

Atualmente, a região tem uma capacidade limitada de adaptação às mudanças climáticas devido à sua forte dependência da agricultura e falta de infraestrutura para gerenciar recursos hídricos.
O Chaco está sujeito a um processo severo de degradação dos recursos naturais e da biodiversidade.

Terras de semeadoras/es de milho e feijão

Na área do Corredor Seco em El Salvador, 2,2 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza.

Nesta região afetada pela vulnerabilidade climática, 54% das/os suas/seus moradoras/es cultivam grãos básicos – milho e feijão – como principal fonte de alimento e renda.

Lá, a pobreza afeta particularmente os setores mais vulneráveis e tradicionalmente excluídos da sociedade, como povos indígenas, crianças, jovens, mulheres e idosas/os.
Cerca de 38% da população jovem rural (de 18 a 35 anos) está em situação de pobreza, sendo altamente afetados por crimes e violência.
As mulheres são ainda mais afetadas pela pobreza: 42% das que vivem no espaço rural do Corredor Seco, cujas terras são montanhosas desmatadas e degradadas. Suas vidas são marcadas pelas privações da falta de emprego e renda e pelas angústias da violência doméstica que sofrem.

Quase toda área de El Salvador faz parte do Corredor Seco e isso faz deste país um dos mais vulneráveis aos riscos climáticos do mundo.

Nos últimos 40 anos, somente em Candelaria de La Frontera, município de El Salvador, a temperatura média subiu de 20º para 30º.

As projeções para a América Central estimam reduções na disponibilidade de água entre 35% e 63%.