Confira o relato de Anderson e Kaline, jovens indígenas, que participaram de todas as fases do DAKI

 Anderson Santos e Kaline Cassiano são jovens da Comunidade Amarelão, no Território indígena Mendonça, estado do Rio Grande do Norte. Ambos estão participando de diferentes fases da formação em Agricultura Resiliente ao Clima, oferecida pelo projeto DAKI – Semiárido Vivo, conforme eles contam no texto abaixo. 

Anderson (27) é professor e atualmente vice-diretor da Escola Municipal Indígena Amarelão. É também liderança jovem na Associação Comunitária do Amarelão (ACA), além de músico. Kaline Cassiano (27) é pedagoga em formação, liderança jovem da ACA, coordenadora de mulheres indígenas pela Microrregional da Articulação de Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME). 

Confira o relato de experiência no DAKI – Semiárido Vivo que eles preparam. 

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Em outubro do ano de 2021 recebemos o convite da Associação de Apoio às Comunidades do Campo (AACC), para participar do curso de Agricultura Resiliente ao Clima do projeto DAKI – Semiárido Vivo.

Do nosso território indígena foram inscritas três pessoas que fazem parte de uma das organizações locais a Associação Comunitária Amarelão (ACA), mas ao longo do percurso somente dois jovens conseguiram permanecer no curso, que somos nós, Anderson Santos e Kaline Cassiano, e concluímos a 1° e 2° fase do Primeiro Programa.

Nós dois atuamos na comunidade como lideranças jovens, fazemos parte do corpo diretor da Associação Comunitária dentro do departamento de Etnodesenvolvimento e Cultura.

Tivemos, no início, alguns desafios para poder participar das aulas, em especial a internet que não foi de boa ajuda. Na primeira fase fizemos um mapa do nosso território com os tipos de solo, organizações sociais, agricultura familiar, criação de animais, reservatórios de água, religião entre outros.

Participamos de vários encontros online e vimos experiências exitosas tanto do Brasil como no Corredor Seco Centroamericano e do Grande Chaco Americano, novos aprendizados, vivências, culturas e o cuidado, o manejo da terra e da água.

Através das pesquisas que fizemos durante a 1° e 2° fase no nosso território, ficamos conhecendo muitas outras coisas boas que temos na nossa comunidade e no nosso território, sempre enfatizamos o fato de termos uma grande dificuldade com acesso a água em nossa comunidade. 

Para concluir essas fases do 1º Programa de Agricultura Resiliente ao Clima no ano de 2022, construímos um plano de ação em Agricultura Resiliente ao Clima para ser desenvolvido no território Indígena Mendonça. Elaboramos um encontro de formação para jovens e mulheres das nossas comunidades com o objetivo de fazer formação para o fortalecimento de bases e fomentar a política pública no nosso território.

Caso queira conhecer sobre nosso plano de ação, visite nosso blog

Mapa participativo feito pela Comunidade Indígena Amarelão, Território Mendonça durante o 1º Programa de Formação em Agricultura Resiliente ao Clima.

Já em 2023, fomos convidados a participar da 3° fase do curso, o DAKI – Juventudes. O DAKI – Juventudes traz uma visão diferente das formações anteriores, e aqui destacamos dois pontos importantes: primeiro ponto, traz somente a juventude e o segundo é que visa fortalecer a identidade da juventude no meio rural, mostrando alternativas e dando voz aos jovens que já desenvolveram experiências em suas comunidades, o que para nós enquanto jovens indígenas é de extrema importância.

Também participamos de um intercâmbio latino-americano na cidade do Apodi/RN, com cursistas da 1ª formação. Nesse encontro estavam delegações de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Argentina. Foram cinco dias de visitas a experiências agroecológicas tais como: quintais produtivos, cozinha comunitária e grupo de mulheres. Vivenciamos durante estes cinco dias o protagonismo das mulheres do campo. 

A força e a resistência delas parece não se esgotar. Em alguns casos há companheirismo do parceiro e em outros relatos de violência contra a mulher, nos casos de violência, as mulheres venceram e se uniram às demais para continuar seus trabalhos e suas produções agroecológicas, com autonomia financeira, economia solidária, e o fortalecimento da agricultura familiar.

Grupo de participantes do Rio Grande do Norte reunidos para avaliar o intercâmbio que aconteceu no estado.

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