Apresentação de vídeo em sala com pessoas assistindo
20 de junho de 2022

 

Ao todo, são 55 iniciativas, das regiões do Semiárido brasileiro, Gran Chaco, na Argentina, e do Corredor Seco, de El Salvador; material deve dar apoio  pedagógico a cerca de 1,3 mil agricultores(as), inseridos (as) no 1º  Programa de Formação do Daki Semiárido Vivo

O avanço dos efeitos das mudanças climáticas é uma realidade em todo o mundo. Em meio a esse cenário, o projeto Daki Semiárido Vivo lançou, na última sexta-feira, 17, durante a I Feira da Agricultura Familiar (Fenafes), realizada no Centro de Convenções de Natal, no Rio Grande do Norte, uma coleção com 55 experiências de agricultura resiliente ao clima. As iniciativas são oriundas das regiões do Semiárido brasileiro, Gran Chaco Americano, e do Corredor Seco. Mesmo sendo realizadas em países diferentes, essas iniciativas possuem algo em comum: a capacidade de apontar soluções para os efeitos das mudanças climáticas que afetam o Semiárido.

Um bom exemplo vem da comunidade de Corzuela, no Chaco argentino, onde atuam as mulheres da Asociacion Siempre Unidos de Corzuela. Elas encontraram um caminho para resistir ao avanço das mudanças climáticas na produção do doce de Tuna. Feito a base do Figo da Índia, espécie nativa da região, a iguaria conquistou o paladar de muitas pessoas, tornando-se o carro-chefe da  marca Sabores Porsuella. Além de criarem a marca, as mulheres registraram o grupo e adquiriram certificados, para facilitar a comercialização em vários mercados.“Sem se formalizar não era possível que elas tivessem sucesso, especialmente na área rural, onde se enfrenta a escassez de água”, explica Gabriela Faggi, técnica do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA).  

No Alto Sertão sergipano, a jovem negra agricultora, do Assentamento Nova Canadá, Iva Santos, combinou formação política e técnica para buscar alternativas de convivência com o Semiárido. O resultado veio com a criação da Unidade de Produção (UPC) e com a sua inserção na militância política em defesa da agroecologia e da reforma agrária. Na UPC, ela produz alimentos para o autoconsumo e para a comercialização. Na militância, Iva é uma referência na luta pela convivência com o Semiárido em sua região. “Eu tenho orgulho de ser preta e produzir alimento saudável”, afirma com convicção.

Nas comunidades El Espino e El Barro, no município de Malpasillo Larreynaga,  no Corredor Seco, em El Salvador, mulheres das comunidades, que sofreram com o Câncer de Colo de Útero, em 1981, viviam em condição de extrema pobreza. Em parceria com a Xoctil Actil, elas iniciaram um projeto de desenvolvimento comunitário e de formação em gênero. Passados alguns anos, resultados como empoderamento, elevação da autoestima, autonomia econômica e democratização na tomada de decisão das famílias puderam ser vistos. “O maior problema é o conhecimento. Se dermos o material e não dermos o conhecimento, não saberão que valemos como mulheres”, afirma a produtora de gado, Maria Cruz.

O Daki

O Daki é uma ação em rede, que envolve a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a plataforma Semiáridos, com apoio do Fida. No Brasil, o projeto tem as suas atividades ancoradas na Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC), instituição jurídica que representa a ASA, na Argentina, na Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), e em El Salvador, no Fundo Nacional de Desenvolvimento (Funde). O coordenador da ação pela ASA, Antônio Barbosa, destacou que o grande trunfo do Daki é “sistematizar, despertar o olhar das pessoas para as experiências, e influenciar em políticas publicas”, pontua. 

Já o representante do Funde, Ismael Merlos, destacou que “com o Daki, estamos tendo momentos de grande aprendizado. As experiências das sistematizações do Brasil, Argentina e El Salvador são muito ricas”, enfatiza. Representante da Fundapaz, na Argentina, Gabriel Seghezzo, acredita que o Daki e uma das “ações mais impactantes da plataforma Semiárido Vivo, no momento, uma vez que congrega sistematização e intercâmbio de experiências e gestão de conhecimento, relacionados a agricultura resiliente as mudanças climáticas”, avalia.

O Daki realiza, desde o início de março, o 1º Programa de Formação em Agricultura Resilientes ao Clima. A ideia é que, ao final das aulas, os cerca de 1,3 mil agricultores(as) desenvolvam agroecossistemas resilientes, inspirados pelas experiências apresentadas. Os vídeos (Assista em nosso Youtube) lançados na coleção serão usados como ferramenta pedagógica nas aulas. Uma das tutoras pedagógicas da Paraíba, Rejane Alves, pontuou a inclusão digital dos (as) agricultores(as) como um ponto positivo do curso. “Mesmo com todas as dificuldades, eles comemoram quando conseguem acessar as aulas e realizar as atividades”, destaca.

A coleção de experiências pode ser acessadas no site semiaridovivo.org. A plataforma traz filtros, que facilitam o acesso às experiências em formato de vídeo e de texto com informações bastante robustas sobre o antes e o depois sobre o fator de resiliência de cada história.

Por Adriana Amâncio/Asa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.