30 de novembro de 2021

O projeto DAKI Semiárido Vivo estará presente num evento que une arte e ciência para, a partir desta perspectiva, observar as questões sociais ligadas ao semiárido brasileiro. Também é intenção da III Semana de Humanidades – Sertão Mundo: arte e ciência como respiro “oferecer uma outra atmosfera, mais inspiradora, para se contrapor tanto ao cenário pandêmico que o mundo vive, quanto ao desastre social, econômico, político e ambiental em que se encontra o Brasil”, como anuncia o texto de apresentação da jornada.

Este evento é muito especial para toda a região semiárida brasileira e, quisá, para as áreas secas além do território nacional, começou ontem (29) e se estende até esta sexta-feira (3). A iniciativa é promovida por uma instituição pública de ensino, o Instituto Federal do Sertão de Pernambuco, campus Oruricuri, em parceria com outros dois IFs do Nordeste – do Rio Grande do Norte (Campus Natal-Cidade Alta) e o da Paraíba (campus Pato) e mais duas universidades públicas localizadas também no solo nordestino – a Univasf (Universidade do Vale do São Francisco, em Juazeiro) e a Uneb (Universidade do Estado da Bahia).

Apesar de ser um evento virtual ainda devido à pandemia, a participação é restrita para os estudantes do IF e para mais algumas pessoas inscritas previamente.

“Nesta edição, reforçamos nosso compromisso em valorizar as Artes e as Ciências Humanas como importantes dimensões do conhecimento humano e da expressão sensível, apostando na indissociabilidade entre formação técnica e formação humana geral e artística. Além disso, reforçamos nosso compromisso com temáticas ligadas às discussões de gênero, raça, etnia, classe e juventude. Nesse evento, mulheres, indígenas, comunidades negras e LGBTQIAP+ e jovens ocupam espaço central. Essa é a educação integral que desejamos para os estudantes do Instituto Federal do Sertão Pernambucano.”

A programação está incrível – “Teremos, neste evento on-line, atividades que buscam interações entre o nosso sertão e outros sertões do mundo: estejam ao redor da América Latina ou na China. Teremos também passeios por outros sertões do Brasil, seja para discutir a presença de uma Usina Nuclear em Itacuruba, Pernambuco, ou a produção artística de mulheres do Vale do Jequitinhonha, em Minas. Teremos igualmente 4 mostras de cinema que promoverão discussões sobre produção audiovisual feita por estudantes, por mulheres, por travestis, por quilombolas e indígenas. Teremos ainda atividades propostas e desenvolvidas por estudantes do campus; oficina de escrita criativa; uma leitura dramática que une teatro e matemática; uma conversa sobre filosofia e cordel; uma homenagem a Paulo Freire no ano de seu centenário; e a participação honrosa da escritora e ganhadora do Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano em 2020, Cida Pedrosa.”

As áreas secas da América Latina – A apresentação do Semiárido brasileiro e de mais duas outras regiões secas do continente – o Chaco argentino e o Corredor Seco, da América Central – está a cargo de Esther Martins, que faz parte da equipe do projeto DAKI Semiárido Vivo.

A apresentação de Esther será iluminada pelas fotos que faz parte do banco de imagens do projeto e que reúne paisagens, rostos e cenários das três regiões semiáridas que têm desenvolvido muitos intercâmbios e trocas de experiências. Um deles vai acontecer, a partir de março de 2022. Trata-se do programa de formação direcionado para quem vive e trabalha nas áreas secas do continente – tanto agricultores/as familiares, comunidades tradicionais, povos indígenas, quanto técnicos e técnicas de instituições públicas ou da sociedade civil que assessoram a agricultura familiar e campesina.

Este programa de formação é o primeiro de três que serão oferecidos pelo projeto DAKI Semiárido Vivo – uma iniciativa que a ASA está ancorando junto a outra rede de organizações da sociedade civil da América Latina, a Plataforma Semiáridos, e ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

 

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